News · Google Cloud Next '26: a virada de construir agentes isolados para governar milhares deles

Apr, 224 min de leitura
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Google Cloud Next '26: a virada de construir agentes isolados para governar milhares deles

Sundar Pichai estrutura o Cloud Next '26 em torno da gestão de agentes, duas TPUs de 8ª geração com propósitos distintos, e o uso da própria Google de IA em código e operações de segurança.

O discurso migrou para a gestão de frotas de agentes

A observação central de Pichai é que a pergunta dos clientes mudou. Ele descreve essa virada de forma explícita, e isso reformula o que a Google está vendendo.

A conversa saiu de "Conseguimos construir um agente?" para "Como gerenciamos milhares deles?"Montana Labs

A resposta é a nova Gemini Enterprise Agent Platform, apresentada como uma "torre de controle" para construir, escalar, governar e otimizar agentes. Ela roda sobre o Gemini Enterprise, que segundo a Google teve crescimento de 40% trimestre a trimestre em usuários ativos mensais pagantes no primeiro trimestre. O sinal de demanda que a Google cita para os modelos por trás disso é concreto: os modelos próprios agora processam mais de 16 bilhões de tokens por minuto via uso direto de clientes na API, contra 10 bilhões no trimestre anterior.

Esse crescimento vem acompanhado de um compromisso de capital que vale destacar: a Google espera que pouco mais da metade de todo o investimento em computação de machine learning em 2026 vá para o negócio de Cloud. A empresa está redirecionando a maior parte do seu gasto em infraestrutura de ML para clientes externos, em vez de treinamento interno de modelos.

Duas TPUs para dois trabalhos diferentes

O lançamento da TPU de oitava geração chama atenção por se dividir em dois chips com cargas de trabalho distintas, em vez de uma peça genérica única. A TPU 8t é voltada para treinamento, escalando até 9.600 TPUs e 2 petabytes de memória de alta largura de banda compartilhada em um único superpod, com o triplo do poder de processamento do Ironwood e até 2x mais desempenho por watt.

A TPU 8i é voltada para inferência, conectando 1.152 TPUs por pod com 3x mais SRAM on-chip para priorizar baixa latência. A Google conecta isso diretamente à tese dos agentes: o chip foi feito para "rodar milhões de agentes simultaneamente de forma econômica". A escolha de design acompanha o argumento do restante do anúncio — se as empresas estão rodando grandes frotas de agentes, a latência e a vazão de inferência passam a ser a restrição principal, não apenas a escala de treinamento. A Google observa que isso complementa um portfólio de instâncias com GPUs NVIDIA, então a estratégia de TPUs divididas é um adicional, não uma substituição.

A Google como sua própria prova de conceito

As afirmações mais específicas vêm da seção "cliente zero" da Google, onde ela relata sua adoção interna. A empresa diz que 75% de todo código novo na Google agora é gerado por IA e aprovado por engenheiros, contra 50% no outono passado. Ela descreve uma migração de código complexa concluída seis vezes mais rápido do que era possível um ano antes, e diz que o lançamento inicial do app Gemini para MacOS foi construído com sua plataforma Antigravity, saindo da ideia para um prototipo nativo em Swift em poucos dias.

Em segurança, a Google diz que os agentes do seu Security Operations Center triam automaticamente dezenas de milhares de relatórios de ameaças não estruturados por mês, reduzindo o tempo de mitigação de ameaças em mais de 90%, e que utiliza ativamente agentes baseados em Gemini, como o CodeMender, para encontrar e corrigir falhas críticas de software. No lado operacional, as equipes de marketing geraram milhares de variações de material criativo para o lançamento do Gemini in Chrome, com um tempo de entrega 70% mais rápido e um aumento de 20% nas conversões.

Esses são números internos, não resultados de clientes, e devem ser lidos assim. Mas são incomumente específicos para esse tipo de keynote, e funcionam também como argumento de marketing: as ferramentas que a Google vende são as mesmas que ela usa.

O que a parceria de segurança sinaliza

A Google apresenta a IA como ameaça e defesa ao mesmo tempo, e combina seu próprio Threat Intelligence e Security Operations com a Cloud and AI Security Platform da Wiz, além da nova AI Application Protection Platform da Wiz, que cobre do código à nuvem até o runtime em ambientes multicloud e híbridos. A presença da Wiz aqui é o sinal mais claro de que a Google pretende vender governança e segurança de agentes como um pacote único, em vez de deixar a proteção de runtime para terceiros.

A implicação concreta do Cloud Next '26 é que a Google está apostando que a próxima unidade de complexidade empresarial é a frota de agentes, e está construindo toda a stack — um plano de gestão, silício otimizado para inferência e segurança integrada — para operar essa frota em escala. Para equipes avaliando a plataforma, as perguntas úteis não são sobre a qualidade do modelo, mas sobre governança, economia de latência, e se os números internos de produtividade se sustentam fora da própria base de código da Google. O I/O de 19 de maio é apontado como o próximo marco a observar.

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