News · Fundo AI Futures Fund do Google aposta em apps de mídia para o consumidor, não em infraestrutura

May, 124 min de leitura
Frontend

Fundo AI Futures Fund do Google aposta em apps de mídia para o consumidor, não em infraestrutura

As três startups em destaque no fundo constroem interfaces visuais e interativas sobre Gemini, Imagen e Veo — um sinal de onde o Google acredita que os modelos generativos geram valor primeiro.

O que o fundo realmente reúne

Em 12 de maio de 2025, o Google apresentou o AI Futures Fund, descrito pelo cofundador e diretor Jonathan Silber como uma iniciativa que 'investe e trabalha com startups para acelerar suas ideias ambiciosas.' A proposta tem quatro componentes, e vale a pena separá-los porque não têm todos o mesmo peso.

As startups ganham acesso antecipado a modelos selecionados do Google DeepMind — o anúncio cita Gemini, Imagen para geração de imagens e Veo para geração de vídeo. Elas também contam com colaboração direta de pesquisadores, engenheiros, gerentes de produto, designers e especialistas em go-to-market do Google; créditos do Google Cloud com suporte dedicado; e, para empresas selecionadas, investimento direto de capital do Google.

O investimento em participação acionária é restrito ('startups selecionadas têm a oportunidade de buscar investimento direto'), e os créditos de Cloud são item padrão de qualquer provedor de nuvem que corteja desenvolvedores. O item realmente escasso aqui é o acesso antes do lançamento a Imagen e Veo, junto das pessoas que os criaram.

As três startups citadas são todas produtos de frontend para mídia

O Google optou por destacar três participantes iniciais, e o padrão entre elas chama atenção. Toonsutra é um app indiano de quadrinhos digitais e webtoons que usa a tradução do Gemini para alcançar a diversidade linguística da Índia. Viggle é uma plataforma de criação de memes com IA que explora a criação de vídeos com Gemini, Imagen e Veo. Rooms permite que os usuários criem, joguem e compartilhem espaços 3D interativos, prototipando conteúdo com o Gemini.

Nenhuma delas é uma ferramenta para desenvolvedores, um framework de agentes ou uma jogada de infraestrutura de backend. As três são apps voltados ao consumidor, em que a saída do modelo é a superfície que o usuário toca diretamente — um quadrinho traduzido, um vídeo de meme gerado, uma cena 3D interativa. A interface é o produto.

Isso se encaixa com os modelos oferecidos. Imagen e Veo produzem imagens e vídeos — resultados que só importam quando exibidos diante de uma pessoa. Um fundo que lidera com esses dois modelos está, na prática, recrutando equipes cujo desafio central é apresentação, latência e interação, não apenas inferência.

Por que o acesso antecipado a Veo e Imagen molda o que os fundadores podem construir

Para uma equipe que constrói sobre imagem ou vídeo generativo, o momento de lançamento do modelo dita o roteiro do produto mais do que quase qualquer outra coisa. Ter acesso ao Veo antes que ele esteja amplamente disponível permite que a Viggle desenhe interações de vídeos-meme em torno de capacidades que os concorrentes ainda não conhecem. Essa é uma vantagem real de frontend: você consegue tomar decisões de interface com base numa qualidade de geração que seus rivais ainda não viram.

O Google coloca isso de forma direta: essas colaborações mostram como fundadores podem 'testar ideias mais audaciosas e construir produtos que antes não eram possíveis.' Olhando para os apps citados, 'não eram possíveis' se refere, em grande parte, à qualidade do resultado — fidelidade de tradução para o Toonsutra, coerência de vídeo para o Viggle — atingindo um nível em que um app para o consumidor passa a valer a pena ser lançado.

A contrapartida para os fundadores é a dependência. Construir a experiência central do seu app sobre versões pré-lançamento do Imagen ou do Veo significa que o teto, o preço e a estabilidade do seu produto ficam atrelados ao ritmo de lançamento de modelos do Google e, para quem recebe participação acionária, ao quadro societário do Google.

A implicação: esse fundo semeia o lado da demanda dos próprios modelos do Google

O AI Futures Fund está aberto em qualquer lugar onde o Gemini esteja disponível, o que é uma rede bem ampla. Mas as escolhas em destaque revelam mais sobre a intenção do que as regras de elegibilidade. O Google está cultivando uma categoria de apps para o consumidor que tornam Imagen e Veo visíveis, úteis e capazes de criar hábito nos usuários finais.

Para startups focadas em frontend, a leitura prática é que o maior valor deste programa está no acesso aos modelos somado aos designers e profissionais de produto que o Google está oferecendo — não nos créditos ou no financiamento, que você pode buscar em outro lugar. Se sua diferenciação está na interface e depende da qualidade da geração, chegar cedo ao Veo é a sua alavanca. Se o seu produto é infraestrutura ou um agente de backend, as três participantes citadas sugerem que você não é o perfil que o Google está priorizando no momento.

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