News · Gemini Enterprise, do Google, aposta que qualquer funcionário pode criar um agente de automação

Oct, 9Leitura de 4 min
Automação

Gemini Enterprise, do Google, aposta que qualquer funcionário pode criar um agente de automação

Uma bancada de agentes no-code, agentes pré-construídos do Google e conectores com Salesforce, SAP e Microsoft 365 querem levar a IA de tarefas isoladas para fluxos de trabalho completos.

A bancada no-code transfere a criação de agentes para o usuário final

A principal afirmação do anúncio do Google é sobre quem passa a poder criar automações. O Gemini Enterprise traz uma bancada no-code que, segundo a publicação, permite que "qualquer usuário — do marketing às finanças" monte agentes personalizados para tarefas repetitivas. O exemplo usado é o de um gerente de marketing que gera conceitos de campanha alinhados à marca — textos para redes sociais e mockups visuais — a partir de um único prompt, já que o agente está conectado a logos, identidade de marca e imagens de produto aprovadas.

Esse posicionamento importa porque tira a criação de agentes das mãos de uma equipe central de engenharia e a coloca com quem realmente é dono do processo. Para reduzir o custo inicial, o Google inclui agentes pré-construídos como Deep Research e Data Science, além de um marketplace de agentes para descobrir, filtrar e implantar agentes de terceiros. A pergunta que o anúncio não responde é sobre governança: quando marketing e finanças criam agentes usando dados reais da empresa, quem revisa, versiona e desativa esses agentes?

Os conectores são o verdadeiro produto

O Google nomeia os sistemas aos quais o Gemini Enterprise se conecta: Google Workspace, Microsoft 365, Salesforce e SAP. O argumento é que os agentes precisam de contexto de negócio — não só resultados de busca — e esse contexto vem dessas integrações. É esse trabalho pouco glamouroso de conexão que determina se um agente entrega "resultados relevantes" ou apenas alucinações.

Dois exemplos de clientes acompanham essa afirmação. Gerentes de relacionamento do Banco BV supostamente automatizam horas de trabalho ao dar a um agente contexto extraído de sistemas internos de analytics e BI. A Harvey usa o Gemini para dar à IA jurídica compreensão contextual na análise de contratos e conformidade. Os dois casos são descritos em termos de tempo economizado, sem números específicos, então soam mais como direção do que como medição.

Orquestração entre sistemas, com os únicos números concretos vindo de um banco

O terceiro pilar é o mais próximo da automação de verdade: orquestrar processos inteiros encadeando agentes pré-construídos, personalizados e de terceiros entre sistemas, em vez de melhorar apenas uma etapa. É aqui que aparecem as únicas métricas concretas do anúncio, e elas vêm de um único cliente.

A busca do Centro de Ajuda deles agora direciona 38% mais usuários para o autoatendimento, e os alertas de falso positivo para proteção de clientes caíram 40%.Montana Labs

Esses números do Macquarie Bank são atribuídos de forma genérica ao "Google Cloud AI", não especificamente aos agentes do Gemini Enterprise. É uma referência válida, mas é anterior ou paralela ao produto que está sendo lançado agora, então as equipes devem interpretá-la como prova de que a infraestrutura funciona — não como um benchmark da nova plataforma.

Encontrando os usuários dentro do Workspace e do Microsoft 365

O quarto ponto trata do atrito de adoção: o Gemini Enterprise funciona tanto no Google Workspace quanto no Microsoft 365, para que as pessoas não precisem trocar de ambiente. É na integração mais profunda com o Workspace que o Google mostra agentes multimodais — o Google Vids transformando uma apresentação em vídeo com roteiro e narração gerados por IA, e o Google Meet adicionando tradução de fala em tempo real que, segundo o anúncio, preserva tom e expressão.

O suporte ao Microsoft 365 é o detalhe mais estratégico. Ao se conectar à suíte de produtividade de um concorrente em vez de exigir migração, o Google tenta transformar o Gemini Enterprise na camada de agentes até mesmo em empresas padronizadas no Office.

No que esse lançamento realmente compromete o Google

A implicação específica do Gemini Enterprise é que o Google está competindo pela amplitude das integrações e pela facilidade de criar agentes, não por uma única capacidade de modelo. A proposta de valor — um hub "porta de entrada", um criador no-code, um marketplace de parceiros e conectores com plataformas concorrentes — só se sustenta se essas integrações continuarem confiáveis e se os agentes criados por não engenheiros puderem ser governados em escala.

Para as equipes que estão avaliando a ferramenta, o teste que importa não é a demonstração de geração de campanhas; é saber se os conectores com suas instâncias de Salesforce, SAP ou Microsoft 365 entregam o contexto preciso que o anúncio promete, e se um fluxo de trabalho com múltiplos agentes sobrevive ao contato com suas etapas reais de aprovação e conformidade. O anúncio faz afirmações fortes sobre orquestração, mas as sustenta com os números de um único banco — então a evidência que você deve exigir é a sua própria.

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