News · Meta abre pipeline de contribuição de dados para modelos de tradução de idiomas pouco atendidos

Feb, 74 min de leitura
Frontend

Meta abre pipeline de contribuição de dados para modelos de tradução de idiomas pouco atendidos

O Language Technology Partner Program da Meta pede que colaboradores forneçam áudio, texto e traduções em troca de modelos open source — com Nunavut e Inuktitut como primeiro caso de teste.

O que o programa de parceiros realmente pede

A Meta publicou uma especificação concreta de entrada, não só uma intenção. Para entrar no Language Technology Partner Program, os colaboradores precisam trazer 10+ horas de gravações de áudio com transcrições, 200+ frases em texto escrito e conjuntos de frases traduzidas em idiomas diversos.

Esses números importam porque definem o piso para participar. O time FAIR da Meta então trabalha com os parceiros para integrar os idiomas aos modelos de reconhecimento de fala e tradução automática, e os modelos resultantes são open source e disponibilizados gratuitamente. Os parceiros também têm acesso a workshops técnicos conduzidos pelos times de pesquisa da Meta sobre como construir em cima dos modelos open source.

O primeiro colaborador nomeado é o Governo de Nunavut, no Canadá, que compartilha dados nas línguas inuítes Inuktitut e Inuinnaqtun. Esse é um acordo de compartilhamento de dados em nível governamental, não um dataset crowdsourced, o que indica o tipo de parceiro que a Meta está buscando para idiomas com pouco texto digital disponível.

Um benchmark de sete idiomas que você pode consultar hoje

Junto com o programa de parceiros, a Meta lançou um benchmark open source de tradução automática composto por frases criadas por especialistas em linguística. Ele está disponível em sete idiomas por enquanto, e a Meta está convidando traduções externas para expandi-lo, tudo lançado como open source.

Para quem está colocando tradução em um frontend de produto, um conjunto de avaliação costuma ser a peça que falta. Você consegue gerar saída em dezenas de idiomas muito antes de conseguir medir se ela é boa. Um benchmark compartilhado, feito por especialistas, dá aos times de frontend e localização um ponto de referência comum para comparar modelos, em vez de depender de números divulgados pelos próprios fornecedores.

Sete idiomas é um conjunto inicial pequeno em relação à ambição declarada pela Meta de criar um benchmark multilíngue sem precedentes, então o valor prático escala de acordo com quantos colaboradores externos adicionarem traduções.

O fio de reconhecimento de fala por trás de tudo isso

Esse anúncio se apoia em lançamentos anteriores da Meta, citados explicitamente. O motor No Language Left Behind (NLLB) de 2022, um tradutor construído com a UNESCO e a Hugging Face anunciado durante a semana da Assembleia Geral da ONU em setembro passado, e o projeto Massively Multilingual Speech (MMS), que escala a transcrição de áudio para mais de 1.100 idiomas.

O detalhe que vale destacar para quem constrói interfaces é o reconhecimento de fala zero-shot do MMS, de 2024, que a Meta afirma conseguir transcrever áudio em idiomas que nunca viu durante o treinamento. Para frontends baseados em voz que atendem idiomas com poucos recursos, isso muda a conta: você pode conseguir oferecer transcrição em um idioma antes mesmo de ter reunido um corpus de treinamento completo para ele.

O que isso significa se você constrói interfaces multilíngues

A implicação concreta desse anúncio é que a Meta está trocando acesso a modelos por dados, a partir de um limite definido. Se seu produto atende falantes de um idioma pouco atendido e você tem dados de áudio, texto e tradução, a barra de 10 horas e 200 frases é o preço de entrada para colocar esses idiomas em modelos open source que depois você pode embutir em um frontend.

O inverso também vale: times que não podem ou não querem contribuir com dados ainda se beneficiam das saídas open source e do benchmark de sete idiomas, já que ambos são disponibilizados gratuitamente. A força real do programa está nos idiomas em que nenhum fornecedor comercial tem incentivo para investir, e onde um governo ou comunidade detém o único dataset relevante.

Para times aplicados, a leitura honesta é que esse é um anúncio de colaboração em estágio inicial, com um único parceiro nomeado e um benchmark pequeno, não um produto pronto. O valor depende de os modelos que forem lançados no futuro cobrirem os idiomas que seus usuários realmente falam.

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