News · Estudo da OpenAI com 1,5 milhão de conversas revela que a maioria das pessoas usa o ChatGPT para perguntar, não para pedir que ele faça algo
Estudo da OpenAI com 1,5 milhão de conversas revela que a maioria das pessoas usa o ChatGPT para perguntar, não para pedir que ele faça algo
Uma análise do uso do consumidor, feita preservando a privacidade, mostra que 'Perguntar' representa 49% das mensagens — um sinal de que as interfaces de chat estão sendo usadas mais como conselheiras do que como executoras de tarefas.
O que o estudo realmente mediu
A OpenAI, em parceria com o economista de Harvard David Deming, publicou um working paper da NBER analisando 1,5 milhão de conversas do ChatGPT em uma base de 700 milhões de usuários ativos semanais. A empresa descreve o trabalho como o estudo mais completo já divulgado sobre o uso real de IA por consumidores.
Duas descobertas demográficas sustentam o artigo. Entre usuários com nomes classificáveis como masculinos ou femininos, a parcela com nomes tipicamente femininos subiu de 37% em janeiro de 2024 para 52% em julho de 2025. E, até maio de 2025, o crescimento da adoção nos países de menor renda era mais de 4 vezes maior que nos países de maior renda.
A observação sobre a metodologia é importante para entender o peso das categorias a seguir: os pesquisadores não leram as mensagens. Ferramentas automatizadas classificaram os padrões de uso sem qualquer revisão humana do conteúdo.
Perguntar supera Fazer — e isso vai contra a tendência dos agentes
O estudo divide as mensagens em três categorias: Perguntar (49%), Fazer (40%) e Expressar (11%). A OpenAI caracteriza Perguntar como a categoria que mais cresce e recebe as melhores avaliações, descrevendo pessoas que 'valorizam o ChatGPT mais como um conselheiro do que apenas como executor de tarefas.'
Esse é um sinal relevante para quem pensa em frontend. Boa parte da energia atual dos produtos — agentes, chamadas de ferramentas, fluxos autônomos — está justamente na categoria Fazer: redigir textos, planejar, programar. Mas a maior parte do tráfego real dos consumidores é de pessoas pedindo orientação e informação.
Para quem constrói uma interface de chat, isso sugere que a interação mais frequente se parece mais com uma consulta do que com um comando. Uma interface otimizada apenas para executar tarefas pode estar ajustada para o menor dos dois modos dominantes.
Escrever é o carro-chefe; programar e se expressar ficam à margem
O artigo mostra que três quartos das conversas giram em torno de orientação prática, busca de informação e escrita. Escrever é apontado como a tarefa de trabalho mais comum, enquanto programação e autoexpressão 'continuam sendo atividades de nicho.'
Essa ordem merece atenção, porque as narrativas voltadas a desenvolvedores tendem a colocar a programação em primeiro plano. Neste conjunto de dados de consumidores, ela é uma atividade minoritária. A maior parte do valor aparece em ajudas simples e baseadas em texto — o tipo de interação que uma caixa de entrada comum e uma boa resposta já resolvem bem.
A divisão entre uso profissional e pessoal reforça esse ponto: cerca de 30% do uso está relacionado a trabalho e 70% não está, e os dois estão crescendo. A interface está atendendo a uma ferramenta de uso geral no dia a dia, não principalmente uma bancada de trabalho profissional.
A implicação: projete a interface padrão para aconselhar, não para automatizar
A OpenAI enquadra o acesso à IA como algo que 'deveria ser tratado como um direito básico,' e o estudo reforça essa visão ao destacar a redução de desigualdades e um valor que o PIB 'não consegue captar.'
Cerca de metade das mensagens (49%) são de 'Perguntar,' uma categoria em crescimento e muito bem avaliada, que mostra que as pessoas valorizam o ChatGPT mais como conselheiro do que apenas como executor de tarefas.Montana Labs
Para equipes que trabalham com IA aplicada, a conclusão prática é sobre prioridade. Se metade do uso real é apoio à decisão e busca por conselhos, então a porta de entrada de um produto deveria tornar o ato de perguntar barato, claro e confiável — respostas objetivas, follow-ups fáceis, raciocínio visível — antes de investir na infraestrutura mais pesada de agentes que automatizam a categoria Fazer.
A ressalva está no alcance: são planos de consumidor e classificações automatizadas, não fluxos corporativos ou transcrições lidas por humanos. Mas, como um retrato de como o público em geral realmente usa uma interface de chat, o estudo aponta para quem constrói produtos que o padrão de conselheiro deveria ser o padrão-padrão, com a execução de tarefas como o caso especializado — e não o contrário.
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