News · Workshop da OpenAI sobre gestão de desastres em Bangcoc aposta em GPTs personalizados, não em novos modelos

Jul, 84 min de leitura
Produtos de IA

Workshop da OpenAI sobre gestão de desastres em Bangcoc aposta em GPTs personalizados, não em novos modelos

Um "AI Jam" de um dia com a Gates Foundation, a ADPC e a DataKind reuniu 50 profissionais de resposta a emergências de 13 países da Ásia para criar workflows de uso imediato.

O que aconteceu em Bangcoc no dia 29 de março

A OpenAI reuniu 50 líderes de gestão de desastres de 13 países — Bangladesh, Índia, Indonésia, Laos, Malásia, Myanmar, Nepal, Paquistão, Filipinas, Sri Lanka, Tailândia, Timor-Leste e Vietnã — para um workshop de um único dia que a empresa chama de AI Jam for Disaster Management. O evento foi realizado em parceria com a Gates Foundation, o Asian Disaster Preparedness Center (ADPC) e a DataKind.

Os participantes não eram pesquisadores nem formuladores de políticas observando de fora. A OpenAI os descreve como pessoas diretamente envolvidas na resposta em campo: coordenando informações, apoiando comunidades afetadas e tomando decisões sob pressão do tempo. Esse enquadramento importa, porque define o que a sessão realmente produziu.

A escolha de construir GPTs personalizados em vez de começar do zero

O detalhe mais concreto do anúncio é o que os participantes de fato fizeram. Em vez de encomendar sistemas sob medida, eles trabalharam com mentores da OpenAI para construir GPTs personalizados e workflows reutilizáveis — voltados para relatórios de situação, avaliação de necessidades e comunicação pública. Três casos de uso nomeados, cada um correspondendo a uma tarefa recorrente que uma equipe de resposta executa sob pressão de tempo.

Trata-se de uma pegada técnica deliberadamente modesta. GPTs personalizados são configurações de um modelo já existente, não uma nova infraestrutura. Para equipes que a própria OpenAI descreve como operando com dados fragmentados, processos manuais e infraestrutura limitada, o atrativo é que um workflow criado em um workshop pode ser reutilizado na semana seguinte sem precisar de uma equipe de engenharia ou de um processo de compras.

A sessão também destacou o uso responsável e a "construção de confiança institucional" — um reconhecimento de que a adoção dentro de órgãos governamentais e multilaterais é tanto um problema de governança quanto de ferramentas.

Os dados de uso que justificam o esforço

A OpenAI fundamenta a iniciativa em dois números específicos de tempestades recentes. Durante o ciclone Ditwah no Sri Lanka, a empresa relata um aumento de 17 vezes nas mensagens relacionadas ao ciclone no ChatGPT. Durante o ciclone Senyar, em novembro de 2025, a Tailândia registrou um volume de mensagens 3,2 vezes maior em comparação aos meses anteriores.

Esses números mostram que o público já recorre ao ChatGPT durante crises — uma demanda que existe independentemente de as agências de resposta estarem preparadas para ela ou não. A lógica do workshop segue direto dessa constatação: se os cidadãos estão pedindo orientação a um sistema de IA durante um ciclone, as organizações que coordenam a resposta têm motivo para trazer essas mesmas ferramentas para dentro de seus próprios processos de decisão. A OpenAI reforça isso com dados regionais citados de fontes externas: a Ásia responde por uma estimativa de 75% das pessoas afetadas por desastres no mundo, e o Banco Mundial estima que os desastres já custaram mais de US$ 11 bilhões aos países da ASEAN.

Um workshop é um funil, e a fase piloto é onde ele é testado

A OpenAI é clara ao afirmar que essa iniciativa se conecta ao seu OpenAI for Countries Program, ampliado em Davos, e que uma segunda fase está planejada para os próximos meses, focada em implantações piloto e colaboração técnica mais profunda. Esse sequenciamento é o verdadeiro sinal a observar. Um evento de um dia pode gerar entusiasmo e uma pasta cheia de GPTs personalizados; o que ele não consegue fazer é comprovar que essas ferramentas resistem ao contato com uma emergência real.

Sandy Kunvatanagarn, chefe de Políticas Públicas da OpenAI, resumiu bem essa lacuna:

Esta sessão busca reduzir a distância entre o que a IA pode fazer e como ela é realmente usada em campo. Na Ásia, existe um forte impulso e interesse em IA, mas a verdadeira oportunidade está em transformar isso em capacidade prática.Montana Labs

A implicação específica para quem implementa IA em ambientes restritos e de alto risco é a seguinte: os resultados do workshop não valem nada a menos que a fase piloto confirme que eles se sustentam quando os dados estão fragmentados, a conectividade é ruim e uma decisão não pode esperar. A OpenAI já nomeou essa fase seguinte, mas ainda não a entregou — então o veredito honesto sobre esse anúncio é que ele estabeleceu um método promissor e deixou as provas concretas para depois.

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