News · Google abre a sua WAN interna a clientes Cloud, apresentando a latência como uma questão de frontend
Google abre a sua WAN interna a clientes Cloud, apresentando a latência como uma questão de frontend
O anúncio da Cloud WAN reenquadra o encaminhamento de rede como algo que se reflete no desempenho das aplicações — a Nestlé cita um ganho de 40% no desempenho das apps.
O que a Google realmente anunciou
No Next 25, a Google anunciou a Cloud WAN, que torna a sua rede de área alargada global disponível a clientes externos por pela primeira vez. A rede opera internamente há 25 anos e abrange hoje 3,2 milhões de quilómetros de fibra ativa, 33 cabos submarinos e 202 localizações de periferia de rede que ligam 42 regiões cloud e 127 zonas cloud.
A proposta de valor para as empresas é a consolidação. O Group Product Manager Satish Kondalam descreve clientes a juntar soluções separadas para conectividade entre sites, acesso à internet e serviços cloud — resultando em redes fragmentadas com segurança inconsistente. A Cloud WAN liga filiais, campus empresariais, aplicações cloud públicas e privadas, SaaS e a internet através da Cloud Interconnect e da Cross-Cloud Interconnect.
O enquadramento ao longo de todo o anúncio é a era da AI (keep the English acronym): a Google afirma que as aplicações potenciadas por AI (keep the English acronym) e o treino de modelos provocaram um aumento de 7 vezes na largura de banda da WAN entre 2020 e 2025, gerido através de uma 'arquitetura de rede horizontal multi-shard', em que cada shard é uma instância independente da rede que pode escalar internamente ou através da adição de mais shards.
A história da resiliência é uma história de entrega
O artigo abre com os danos em cabos submarinos ao largo da África Ocidental em março de 2024, quando quatro cabos submarinos foram cortados e as falhas se propagaram da Costa do Marfim até à África do Sul. O cabo Equiano da Google, que percorre mais de 14.500 quilómetros de Portugal até à África do Sul, manteve-se operacional, e as empresas que o utilizavam permaneceram online enquanto outras compravam capacidade adicional para se reconectarem.
Para as aplicações, essa resiliência não é abstrata. Subhasree Mandal traça a evolução da rede como uma sequência de problemas de entrega: fiabilidade e escala para a Search e os Ads, vídeo de alta qualidade para o YouTube e, mais tarde, fiabilidade regional e segurança, uma vez que a Google passou a transportar o tráfego dos clientes e não apenas o seu próprio.
Inicialmente estávamos a construir a Cloud WAN apenas para a Google e agora estamos a construí-la para todos. Com a diversidade de aplicações que executamos e o volume de dados, essa é uma enorme responsabilidade — é, arriscaria dizer, desconfortavelmente entusiasmante.Montana Labs
A implicação: o encaminhamento passa a ser uma decisão tomada em tempo de construção
O que a Cloud WAN altera para as equipas de aplicações é onde recai a responsabilidade pela latência e pela resiliência. Anteriormente, a forma como o tráfego dos utilizadores chegava à cloud dependia muitas vezes do que a rede corporativa ou a internet pública conseguissem oferecer. A Cloud WAN transforma esse percurso em algo que se aprovisiona e se paga, com um nível que otimiza explicitamente o ponto de entrada do utilizador.
A ressalva honesta é que as provas são escassas — um único cliente identificado, uma cifra de 40% reportada pela própria empresa e nenhuma metodologia divulgada. As equipas devem tratar este número como uma afirmação a verificar face ao seu próprio tráfego, não como um valor de referência. Mas a direção é clara: a Google está a convidar os engenheiros de frontend e de plataforma a pensar na rede principal como parte do seu orçamento de desempenho, da mesma forma que já pensam sobre a colocação de CDNs e o tamanho dos bundles.
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