News · A AI da LVMH orientada para os consultores: conceber uma interface que não se faz notar
A AI da LVMH orientada para os consultores: conceber uma interface que não se faz notar
A plataforma Google Cloud do grupo de luxo coloca uma interface de chat à disposição dos funcionários de loja na Tiffany, na Louis Vuitton e na Sephora — com o objetivo de design declarado de ser invisível para o cliente.
A interface destina-se ao consultor, não ao cliente
O produto mais concreto no anúncio da LVMH é uma interface de chat usada pelos consultores de clientes em lojas como a Tiffany & Co., a Louis Vuitton e a Sephora. Cada consultor tem uma lista de clientes com quem falar, e a ferramenta mostra os gostos pessoais de um determinado cliente e aponta o consultor para artigos que o cliente talvez não conhecesse.
Trata-se de uma decisão de posicionamento deliberada. A AI não fala com o cliente. Fala com o funcionário, que depois fala com o cliente. A LVMH trata o consultor como o frontend e o modelo como um assistente nos bastidores que nunca surge na própria interação de luxo.
Queríamos manter a interação individual que os nossos clientes esperam das nossas maisons. Trata-se de entrelaçar dados e AI que ligam as experiências digital e de loja, tudo isto de forma fluida e invisível.Montana Labs
'Quiet tech' é uma restrição de UX, não um slogan
O diretor de informação Franck Le Moal descreve todo o esforço como 'quiet tech', indo buscar inspiração à tendência do 'quiet luxury'. Despido do marketing, trata-se de uma restrição de interface específica: a tecnologia não pode ser intrusiva nem visível no ponto de venda.
Essa restrição molda o que a ferramenta pode fazer. Le Moal afirma que a AI 'deixa mais tempo ao consultor para se concentrar na relação com o consumidor'. A medida de sucesso não é a automatização da conversa, mas a eliminação do atrito na consulta de informação — histórico do cliente, gostos pessoais, produtos adequados — para que a pessoa continue a fazer a parte humana.
Vale a pena notar quanto disto é, na verdade, pesquisa de informação apresentada sob a forma de chat. A mesma plataforma dos consultores também guarda procedimentos de loja, diretrizes de abertura e encerramento, e informação sobre produtos da temporada atual, tudo consultável através da interface. A superfície de chat funciona tanto como manual de operações como CRM de clientes.
A continuidade é a funcionalidade subestimada
Uma frase do anúncio aponta para um problema de negócio real que a interface resolve: ajuda a 'preencher as lacunas quando um consultor de clientes muda de função ou está indisponível'. Num negócio construído sobre relações pessoais, a rotatividade de pessoal costuma significar perder o conhecimento acumulado sobre as preferências de um cliente.
Ao colocar os dados sobre os gostos do cliente por detrás da interface do consultor, em vez de na memória de uma única pessoa, a LVMH torna a relação portátil entre funcionários. É um frontend que serve discretamente a memória institucional — o cliente sente continuidade mesmo quando o consultor individual muda.
Escala em 75 maisons através de uma plataforma partilhada
O anúncio reporta mais de 40 mil utilizadores mensais e mais de 1,5 milhões de consultas mensais nos sistemas de AI generativa que a equipa de Le Moal construiu. Os departamentos financeiro, de retalho, digital, jurídico e de recursos humanos estão cada um a implementar agentes para análise de informação e pesquisa empresarial.
O mecanismo indicado é uma plataforma de dados partilhada que difunde as melhores práticas técnicas pelas 75 maisons distintas da LVMH. Em vez de cada marca construir a sua própria ferramenta de apoio aos consultores, todas partem de uma infraestrutura comum — é assim que um grupo de casas geridas de forma independente acaba por ter uma abordagem de AI consistente na linha da frente, sem um mandato centralizado sobre a experiência do cliente.
A implicação: a LVMH está a padronizar a ferramenta enquanto protege a interação
A aposta específica aqui é que a AI pode ser centralizada e reutilizada entre marcas e departamentos, mantendo intocado o momento de contacto com o cliente. A LVMH partilha internamente uma plataforma e boas práticas comuns, mas insiste que a tecnologia nunca aparece na interação de luxo.
Para equipas que constroem assistentes destinados a funcionários em contextos de elevado contacto pessoal, o caso da LVMH é um exemplo claro de conceber para desaparecer: colocar o modelo por detrás do funcionário, tratar o 'invisível' como um requisito explícito, e avaliar a ferramenta pelo tempo que devolve à conversa humana, e não pela parte dessa conversa que assume.
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